Os homens saem para a rua vestidos, e é impossível saber como eles são debaixo dessa roupa; o homem vive abertamente é em casa, entre quatro paredes, e você não sabe como ele vive ali.
Máximo Gorki, Ganhando o meu pão, p.267
As realidades da alma, por não serem visíveis e paupáveis, não deixam de ser realidades. (Os Miseráveis, Victor Hugo)

J. C. Ismael. Sócrates e a arte de viver, p. 87 (Ágora)

Imaginem um rapaz correndo de moto numa estrada secundária. O vento bate-lhe no rosto. O rapaz fecha os olhos e abre os braços como nos filmes, sentindo-se vivo e em plena comunhão com o universo. Não vê o caminhão irromper do cruzamento. Morre feliz. A felicidade é, quase sempre, uma irresponsabilidade, somos felizes durante os breves instantes em que fechamos os olhos.
“O Vendedor de Passados", de José Eduardo Agualusa.