sábado, 8 de junho de 2013


Parece que a vida é construída de um modo que ninguém possa preenchê-la sozinho. Assim como não é o suficiente para as flores ter pistilos e estames, um inseto ou a brisa deve introduzir o pistilo ao estame. A vida contém sua própria ausência, que apenas um Outro pode preenchê-la. Parece que o mundo é o somatório dos Outros. E, ainda assim, não sabemos e nem nos é dito que preencheremos uns aos outros. Levamos nossas vidas dispersas, perfeitamente inconscientes dos outros… Ou, de vez em quando, é permitido encontrar a desagradável presença do Outro. Por que é que o mundo é construído de forma tão solta?

Air Doll (2008)

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