sexta-feira, 19 de dezembro de 2014



Ouvi uma vez certa artista falando sobre a necessidade de se amar enquanto temos as pessoas perto de nós. Ela contava sobre o pai, um senhor já de idade, que, antes de falecer, sempre pedia em tom de súplica: "me liga mais vezes fia, pra falar de você, do seu dia, contar uma gloriazinha..." Do discurso da moça  não guardei mais nada. O que entrou nos meus ouvidos e martelou em minha cabeça e não me largou mais foi a frase do senhor. Não o conheci, mas bastou a frase para imaginar um velhinho sempre com aquelas palavrinhas em tom de brincadeira que pegam a gente desprevenidos e causam uma verdadeira reviravolta.
Pensei no que seriam as gloriazinhas do meu dia e gostei de chamá-las assim. Gloriazinhas passam despercebidas às vezes, são coisas miúdas do dia, mas não deixam de ser glórias. Gloriazinhas nos fazem sorrir sem que a gente se dê conta. Minha última gloriazinha foi um abraço inesperado de um menininho que de pequeno tinha só o tamanho e, por causa do tamanho, abraçou só minhas pernas, mas conseguiu me tocar lá no coração. 
As gloriazinhas estão por aí aos montes, mas a gente só se concentra nas grandes glórias. Um diploma digno de moldura para ser pendurado à parede, um carro que possa causar inveja, uma casa que evidencie o tamanho do nosso sucesso... e por aí vai. Mas as gloriazinhas são mais democráticas, elas acontecem na vida do mais deserdado dos seres. E só por elas já vale a pena ter nascido.

Jéssica Alves

Um comentário:

Anônimo disse...

Sim de vez em quando esquecemos esses momentos singelos que por estarmos com a cabeça cheia só percebemos quando nos deitamos , sabe aquela hora que praticamente meditamos sobre tudo que aconteceu ao decorrer do dia, mas não importa se percebemos um minuto depois ou no fim do dia momentos assim são capazes até de espantar a tristeza que tenta nos deprimir, aquele sorriso bobo, chegando a ser um pouco travesso , sim um lindo sinal de felicidade.