Acho que você passou os dias da sua infância tão pertinho do mar que seu olhar incorporou aquela profundidade, aquela fluidez e os momentos ora de vagareza, ora de inquietude. Olhos que, no início, trouxeram a necessidade cautelosa de me manter longe, tentando descobrir até que altura eu poderia permanecer sem correr o risco de ser tragado. Olhos que, hoje, já familiarizado, geram uma vontade imediata de mergulhar e de sentir o que nunca senti antes.
Eu demorei para entender o porquê de toda aquela sua fascinação pela lua. Não poderia ser diferente. Quem carrega o mar nos olhos tem uma ligação natural com ela, estabelecida desde o início dos tempos. Todos gostam de admirá-la, é claro, mas você fixava o olhar e se perdia. Quando a lua é cheia, o mar do seu olhar se enche tanto que, às vezes, escorre, você sente o gosto salgado nos seus lábios e relembra o que sentia quando era criança. Por alguns instantes me sinto invadindo toda a sua história e te vejo menina. Gosto do que vejo. Você brincando naquele tempo não é muito diferente de quando brinca hoje.
Jéssica Alves
Jéssica Alves

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